Os solos da encosta do planalto basáltico, onde Santa Cruz do Sul se assenta a cerca de 122 metros de altitude, guardam uma variabilidade que só a observação direta revela. A sondagem a trado entra aí como ferramenta de reconhecimento rápido: perfura o terreno até profundidades que raramente ultrapassam 6 metros, extraindo amostras deformadas que permitem identificar camadas de argila siltosa, silte arenoso e os colúvios típicos das vertentes suaves do vale do Rio Pardo. Em nossa experiência na região, o trado helicoidal avança bem nos horizontes superficiais, mas encontra resistência quando atinge o saprolito de basalto, algo que já orienta a decisão sobre investigações complementares com sondagens SPT quando a obra exige cotas de fundação mais profundas.
Em Santa Cruz do Sul, o trado manual costuma atingir o impenetrável ao tocar o saprolito de basalto, um marco que define o limite prático da sondagem superficial.
Procedimento e escopo
Particularidades da região
O trado manual é um conjunto de hastes de aço com uma ponta helicoidal que o operador crava no terreno por rotação. Em Santa Cruz do Sul, o que mais vemos nos serviços é a falsa impressão de homogeneidade que uma sondagem superficial pode gerar quando executada isoladamente. Nas áreas de aterro não controlado junto à margem direita do Rio Pardo, já encontramos camadas de argila mole cobertas por um metro de solo laterizado aparentemente firme, situação que o trado detecta pela mudança brusca de resistência, mas cuja extensão em profundidade permanece desconhecida sem uma sondagem de percussão. Interromper a investigação na cota do trado, sem confirmar o que está abaixo, é o erro mais comum que observamos em obras de pequeno porte na cidade, principalmente em residências unifamiliares onde o custo inicial tende a pesar mais que a segurança de longo prazo.
Material audiovisual
Marco normativo
ABNT NBR 6484:2020 – Sondagem de simples reconhecimento com SPT, ABNT NBR 6502:1995 – Rochas e solos – Terminologia, ABNT NBR 6122:2019 – Projeto e execução de fundações
Serviços técnicos associados
Classificação tátil-visual expedita
Descrição das amostras em campo pelo engenheiro, identificando textura, plasticidade e cor do solo conforme a terminologia da ABNT NBR 6502.
Ensaios de caracterização em laboratório
Granulometria por peneiramento e sedimentação, limites de Atterberg e teor de umidade natural executados em amostras deformadas do trado.
Perfil estratigráfico preliminar
Elaboração de seção com a sucessão de camadas identificadas até a profundidade alcançada, indicando o impenetrável ao trado.
Apoio à locação de furos SPT
Os resultados da sondagem a trado orientam a escolha dos pontos para sondagens de percussão mais profundas, otimizando a malha de investigação.
Parâmetros típicos
Dúvidas comuns
Qual a profundidade máxima que a sondagem a trado atinge em Santa Cruz do Sul?
A profundidade varia conforme o perfil do terreno. Nos bairros sobre a encosta do planalto, o trado manual costuma avançar entre 3 e 6 metros, até encontrar o saprolito de basalto ou o impenetrável. Nas áreas de várzea do Rio Pardo, onde predominam sedimentos aluviais, é possível atingir os 6 metros sem grandes dificuldades, desde que não haja pedregulhos.
Qual o custo de uma sondagem a trado na região de Santa Cruz do Sul?
O valor do serviço de sondagem a trado na cidade fica na faixa de R$1.350 a R$1.760, dependendo da quantidade de furos, da profundidade alcançada e da dificuldade de acesso ao terreno. Esse valor inclui a perfuração, a coleta de amostras deformadas e o registro do perfil de campo.
A sondagem a trado substitui a sondagem SPT em Santa Cruz do Sul?
Não. A sondagem a trado é uma investigação complementar de reconhecimento superficial. Ela fornece amostras deformadas e um perfil preliminar, mas não mede a resistência à penetração (NSPT) nem identifica o nível d'água. Para projetos de fundação, a ABNT NBR 6122 exige ao menos uma sondagem SPT, que alcança maiores profundidades e fornece parâmetros de resistência do solo.
